Rádio Nacional completa 90 anos com uma das maiores estruturas de radiodifusão da América Latina
Emissora combina tradição com operação técnica e capilaridade de grande escala
A Rádio Nacional completa neste ano nove décadas de existência reafirmando seu papel histórico como um dos principais veículos de comunicação do país. A emissora, que hoje integra o conglomerado de mídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), é reconhecida como a maior rádio pública da América Latina, destacando-se por sua ampla capilaridade e pela presença multiplataforma no cenário radiofônico.

Mapa ilustrativo da cobertura da EBC em ondas curtas demonstra o alcance internacional. A propagação do sinal pode variar conforme condições atmosféricas/ Fonte: EBC
A Rádio Nacional foi fundada no Rio de Janeiro (RJ) pelo grupo do Jornal A Noite em 12 de setembro de 1936 com o prefixo PRE-8. Começou a ganhar força em 1940, quando foi incorporada à União e se firmou como fenômeno de expressão da cultura popular brasileira. Teve papel fundamental na transmissão de notícias para todo o território brasileiro com o Repórter Esso, apresentado pelo jornalista Heron Domingues e que se tornou sucesso de audiência. Na época, a emissora chegava a receber milhares de cartas por dia enviadas por ouvintes de todo país.
Atualmente, a Rádio Nacional é a única emissora brasileira com atuação simultânea em FM para todos os estados, operando também em AM e Ondas Curtas (OC) de alta potência, o que faz o sinal chegar em lugares remotos e para além das fronteiras brasileiras. A programação também pode ser acompanhada pela internet via streaming, garantindo alcance para diferentes realidades geográficas e sociais do país.
O presidente da EBC, Andre Basbaum, comenta que a Rádio Nacional carrega uma trajetória que se mescla com a própria história da comunicação brasileira. “Ao completar 90 anos, a Rádio Nacional reafirma sua relevância como patrimônio da comunicação pública e como serviço essencial para a população. Sua força está justamente na capacidade de unir tradição e presença contemporânea, em uma infraestrutura tecnológica robusta que permite chegarmos mais longe, em lugares onde muitas vezes não há nenhum outro veículo de comunicação. Celebrar a Rádio Nacional é reconhecer que ela segue viva, atual e comprometida com a missão de informar. O direito à informação está expresso em nossa Constituição Federal e é uma bússola para a nossa atuação na EBC”, declara Basbaum.
Sem Fronteiras
A rede própria da Rádio Nacional conta com cinco emissoras FM localizadas no Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Brasília (DF), São Luís (MA) e Tabatinga (AM), além de presença em AM na capital federal. Em Recife (PE), a Rádio Nacional é operada em parceria com a Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC).
A transmissão da Rádio Nacional da Amazônia para longas distâncias, por sua vez, acontece por meio de transmissores de ondas curtas (OC) instalados no Parque do Rodeador, localizado a cerca de 40km do centro de Brasília (DF) e que se configura como um dos maiores complexos de transmissão radiofônica do país. Inaugurado em 11 de março de 1974, o parque completou 50 anos em 2024. A sua área abriga quatro conjuntos de antenas gigantes, sendo uma de ondas médias, com 142 metros de altura, além de mais três conjuntos com torres mais altas, atingindo 147 metros para as ondas curtas. O projeto foi desenvolvido com os recursos mais modernos da época para obter maior ganho e alcance de transmissão.

Parque do Rodeador/ Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Expansão em rede
O sistema próprio da EBC para a Rádio Nacional é complementado por um pilar estratégico: a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) de Rádios, que hoje é formada por 168 emissoras espalhadas por todo o Brasil. Essa rede amplia a presença da Rádio Nacional por meio de parcerias com emissoras públicas, educativas e culturais em todas as cinco regiões do país. A articulação fortalece o caráter público da comunicação e garante diversidade regional na programação.
Segundo os acordos firmados com a EBC, essas parceiras devem retransmitir um mínimo de quatro horas da programação da Rádio Nacional, não sendo obrigatória a simultaneidade. As emissoras também devem transmitir um mínimo de uma hora de produção local por dia.
Em 2026, a estratégia de expansão da RNCP vai levar o sinal da Rádio Nacional para mais localidades, ampliando o seu raio de atuação de alcance. Em março, por exemplo, as rádios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) passaram a integrar a rede. Vale destacar que, também em março, entrou em operação na cidade de Fortaleza (CE) a Rádio Educativa FM 86,7, neste caso integrando conteúdos da Rádio MEC e produções locais.
Crescimento em audiência
Com uma programação diversa e estrutura capilarizada, a Rádio Nacional tem conquistado cada vez mais ouvintes nos últimos anos. Dados do Ibope mostram que, tanto no ano de 2024 quanto no de 2025, a rede alcançou mensalmente mais de 400 mil ouvintes. As estatísticas referem-se apenas às praças do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Distrito Federal e Recife (PE), onde a EBC possui medição de audiência. Na prática, esse número é ainda maior – não é aferida, por exemplo, a audiência registrada pela Rádio Nacional da Amazônia em ondas curtas.
A Nacional no Rio de Janeiro, especificamente, teve aumento de 49% de ouvintes entre os anos de 2024 e 2025. E, já em 2026, a Rádio Nacional FM de Brasília teve resultados históricos de audiência no Distrito Federal. A emissora alcançou, no primeiro bimestre do ano, a maior participação de mercado (share) de toda a série histórica de medições, iniciada em 2010. A emissora mantém uma curva contínua de crescimento: os anos de 2023, 2024 e 2025 concentram três das quatro melhores performances da rádio nos últimos 15 anos, com participações de 1,36%, 1,42% e 1,49%, respectivamente.

Museu da Rádio Nacional/ Foto: Divulgação
Ondas Curtas e ambiente digital
A infraestrutura de ondas curtas da Rádio Nacional destaca-se também por sua importância diante de eventos climáticos e tragédias ambientais. Um dos exemplos refere-se às tempestades que castigaram o Rio Grande do Sul em 2024. Com o objetivo de ampliar a prestação de serviços para a comunidade impactada pelas enchentes, foi criado à época o programa “Sintonia com o Sul” com programação dedicada à divulgação de informações para a região afetada. Para esse objetivo ser concretizado, uma parte das antenas do Parque do Rodeador foi direcionada para o sul do país.
Também faz parte da EBC a Rádio Nacional do Alto Solimões. A sua programação combina as notícias locais e nacionais com protagonismo para a produção e a cultura regional. Referência na cidade amazonense de Tabatinga (AM), onde está localizada, a rádio também faz a diferença para os moradores da região do Alto Solimões. A emissora FM interliga nove municípios e serve de ponte de informação e comunicação com a população urbana, povos indígenas e comunidades tradicionais da Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
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