TV 3.0: Visão geral da Tecnologia

A TV 3.0, em fase final de especificação pelo Fórum SBTVD, reúne o que há de melhor em tecnologia para TV Digital no mundo, com muitas inovações brasileiras. Transmissão MIMO, planejada para recepção com antena interna, baseada em IP, integração completa e transparente entre radiodifusão e internet, interface de usuário baseada em aplicativos, vídeo UHD HDR, áudio imersivo e personalizável, recursos avançados de acessibilidade e alertas de emergência, conteúdo personalizado e segmentado geograficamente, são algumas das características do novo sistema. Saiba mais sobre a tecnologia da TV do futuro, explicada pelos responsáveis por coordenar a elaboração dessas especificações.

Moderador: Luiz Fausto de Souza Brito, Coordenador – Módulo Técnico, Fórum SBTVD

Luiz Fausto possui mais de 20 anos de experiência em tecnologia de mídia. Trabalha na Globo desde 2006, atualmente como Especialista em Tecnologia e Regulatório. É coordenador do Módulo Técnico do Fórum SBTVD desde 2020, membro da Delegação Brasileira na ITU-R e CITEL CCP.II desde 2013 e da SET desde 2009. Na ITU-R, é copresidente do Grupo Relator sobre o Futuro da Radiodifusão e presidente do SWG 6B-2 (Multimedia). Tem mestrado em Computação Aplicada, MBA em TI e graduação em Engenharia Eletrônica.

A TV 3.0 como Plataforma de TV Orientada a Aplicativos

A TV 3.0 representa uma mudança de paradigma na forma como os telespectadores percebem e navegam entre os conteúdos de radiodifusão. O consumo deixa de ser iniciado pela seleção do canal de uma emissora e passa a ser pela seleção de seu aplicativo. Esta transição significa que a gama de serviços de radiodifusão é agora oferecida em formato harmonizado, num ambiente dedicado e agregador de conteúdos OTA/OTT das emissoras, repleto de experiências personalizadas e imersivas. Tudo isso sobre os pilares da tecnologia nacional que posiciona o país como histórico contribuidor ao estado da arte em TV interativa.
Palestrante: Marcelo F. Moreno, Professor Associado, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) | Módulo Técnico do Fórum SBTVD

Professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com Doutorado em Informática pela PUC-Rio e atuação nas áreas de sistemas multimídia e redes de computadores. Em 2022–2023, foi Professor Visitante no International Audio Laboratories Erlangen (FAU/Fraunhofer IIS), na Alemanha. Coeditor da Recomendação ITU-T H.761 (“NCL and Ginga-NCL”), contribuiu para diversos padrões internacionais e coordenou grupos de trabalho na UIT-T por mais de uma década. Desde 2015, coordena o Grupo de Trabalho de Codificação de Aplicações do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), onde também atua como editor das normas ABNT para TV 2.5 e TV 3.0. Sua pesquisa integra inovação acadêmica e padronização técnica, com foco em radiodifusão orientada a aplicativos, integração com dispositivos de segunda tela, medição de audiência e plataformas de mídia com suporte à privacidade para a nova geração da TV digital.

TV 3.0 status tecnológico

A apresentação abordará o andamento das ações nos grupos de trabalhos de legendas, codificação de áudio e codificação de vídeo no Fórum SBTVD. Também será apresentado a maturidade do ecossistema tecnológico com o exemplo das demonstrações realizadas durante as Olimpíadas 2024.

Palestrante: Carlos Cosme, Especialista em inovação no grupo de Telecom do Hub de Infraestrutura e Segurança, Globo

Carlos Eduardo Cosme Ribeiro é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Estácio de Sá (2007), pós-graduado em Engenharia de Controle e Automação pela Universidade Gama Filho (2011) e especialista em Redes de Computadores pela PUC Rio (2013). Trabalha na Globo desde 1998, onde atuou nas áreas de operação e suporte. Atualmente é especialista em inovação no grupo de Telecom do Hub de Infraestrutura e Segurança. É membro do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD), onde coordena os grupos de trabalho de Codificação de Áudio, Codificação de Vídeo e Legendas no Projeto TV 3.0. Na Globo, ele se concentra em tecnologias de transmissão e banda larga que podem aumentar e/ou melhorar a qualidade da experiência dos telespectadores que consomem os produtos da Globo.

Camada de Transporte e Física da TV 3.0

Esta apresentação abordará os recursos inovadores da camada de transporte e física usados na TV 3.0. A camada de transporte utiliza o protocolo de Internet DASH em conjunto com o ROUTE e permite que o conteúdo seja recebido pelo ar e pela Internet. O sistema ATSC 3.0 com extensões MIMO foi recomendado na camada física. Ele inclui o uso de duas antenas com polarização cruzada na transmissão/recepção, o que permite até o dobro da capacidade do canal. O LDM permite a multiplexação de PLPs em duas camadas com Modcods diferentes, permitindo a recepção móvel e fixa com uma antena interna com proteção desigual de erros e um identificador chamado TxID que permite identificar a origem do sinal transmitido, facilitando a segmentação geográfica.

 

Palestrante: Cristiano Akamine, Professor e Pesquisador e do Laboratório de TV digital da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie | Módulo Técnico do Fórum SBTVD

Received the B.Sc.degree from Mackenzie Presbyterian University, Sao Paulo, Brazil, in 1999, and the M.Sc. and Ph.D. degrees from the State University of Campinas, Sao Paulo, in 2004 and 2011, respectively,all in electrical engineering. He is a Professor of Embedded Systems, Software Defined Radio, and Advanced Communication Systems, Mackenzie Presbyterian University. Since 1998, he has been a Researcher with the Digital TV Research Laboratory, Mackenzie Presbyterian University, where he had the opportunity to work with several digital TV systems. His research interests are in SoC for broadcast TV and software defined radio.

Avanços e Propostas para Acessibilidade e Alarmes de Emergência na TV 3.0

A palestra apresentará propostas para aprimorar a acessibilidade e os alarmes de emergência na TV 3.0 no Brasil. Serão abordados os desafios e avanços na implementação de legendas, audiodescrição e LIBRAS, visando garantir a inclusão de pessoas com deficiência. Além disso, serão discutidas soluções para a transmissão e apresentação de alertas visuais e sonoros eficazes, assegurando que todos tenham acesso à informação em situações de risco.

Palestrante: Guido Lemos, Professor Titular no Centro de Informática da UFPB | Secretário de Ciência e Tecnologia de João Pessoa

Doutor em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO). Coordena o LAVID (Núcleo de Pesquisa e Extensão em Aplicações de Vídeo Digital) onde desenvolve pesquisas nos seguintes temas: televisão digital, cinema digital, aplicações multimídia distribuídas, redes de distribuição de vídeo, performances artísticas distribuídas, acessibilidade, segurança da informação, fake news, telesaúde e aplicações de blockchain. Atuou no desenvolvimento do middleware Ginga, publicado como recomendações ITU-T e ITU-R, e adotado como padrão no Sistema Brasileiro de Televisão Digital e de vários outros países da América Latina, cuja implementação é um software hoje instalado em cerca de 100 milhões de aparelhos de TV. Destacam-se ainda como resultados de suas pesquisas o desenvolvimento de um sistema de armazenamento, transmissão e exibição de vídeos 4K 3D denominado Fogo Player, o desenvolvimento de uma plataforma para apoio a realização de espetáculos distribuídos de dança, teatro e música denominada Arthron, o desenvolvimento de servidores de vídeo para transmissão ao vivo e sob demanda, denominados DLive e DVod, que foram usados na Rede de Vídeo Digital da RNP e no serviço IPTV da USP-SP, o software para acessibilidade VLibras (usado nos sites www.brasil.gov.brsenado.leg.br e câmara.leg.br) executado 1,5 bilhão de vezes por ano; o desenvolvimento de tecnologias para registro, validação e preservação de Diploma Digitais baseadas em blockchain que será usado em 270 universidades públicas brasileiras; por fim, o desenvolvimento do sistema de vídeo para saúde V4H que usa tecnologias de assinatura digital, registro em blockchain e preservação para agregar segurança no uso de vídeos gerados em atendimentos. Foi coordenador do REUNI na UFPB e participou da sua criação e implementação resultando no aumento de 20 para 45 mil no número de estudantes de graduação e pós-graduação. Atua também como membro do Conselho Deliberativo do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital e convidado da Câmara Técnica de Acessibilidade da Ancine.