Tecnologia leva o olfato à realidade virtual e promete experiências mais imersivas
Pesquisadores desenvolvem dispositivo vestível capaz de reproduzir cheiros em tempo real na VR, aproximando a experiência virtual da sensação do mundo real.
A realidade virtual está cada vez mais próxima de envolver todos os sentidos humanos. Pesquisadores do Institute of Science Tokyo, em parceria com o Rakuten Institute of Technology, desenvolveram um dispositivo vestível de geração de aromas que pode levar o olfato de forma prática e precisa para ambientes de VR, superando uma das principais limitações históricas da tecnologia.

Dispositivo vestível com múltiplos canais para exibição de aromas, desenvolvido no Instituto de Ciências de Tóquio, permite ao usuário experimentar diversos aromas enquanto explora ambientes virtuais/ Foto: Ieeexplore
Embora imagens em alta definição e áudio espacial já proporcionem forte sensação de imersão, a ausência de cheiros sempre foi um obstáculo para experiências verdadeiramente realistas. Tentativas anteriores, como o sistema Smell-O-Vision usado no cinema ainda na década de 1930, enfrentaram problemas técnicos e de usabilidade. No universo dos games e da VR, soluções semelhantes também se mostraram pouco práticas, volumosas e difíceis de integrar aos headsets.
A nova proposta muda esse cenário ao apresentar um sistema compacto, leve e compatível com equipamentos de realidade virtual comerciais. O dispositivo é capaz de combinar até oito fragrâncias diferentes em tempo real, ajustando as proporções conforme o ambiente virtual exibido ao usuário, o que permite a reprodução de uma ampla variedade de cheiros.
A tecnologia utiliza microdispersão de fragrâncias líquidas, transformadas em névoa por ondas ultrassônicas, aliadas a uma bomba eletro-osmótica de alta precisão. Esse conjunto garante controle rigoroso na liberação dos aromas, evitando atrasos e garantindo sincronização com a experiência visual.
Em testes práticos, os pesquisadores criaram conteúdos de turismo virtual, nos quais os usuários puderam “visitar” diferentes locais e sentir aromas característicos de cada ambiente. Os participantes relataram aumento significativo da sensação de presença e realismo, indicando o potencial da tecnologia para aplicações em entretenimento, educação, treinamento profissional e até saúde.

O avanço foi detalhado em um artigo publicado recentemente no IEEE Sensors Journal e pode representar um passo decisivo para a consolidação da chamada VR multissensorial, na qual visão, audição e olfato trabalham de forma integrada. Caso a tecnologia chegue ao mercado, a experiência virtual poderá se tornar mais completa — e muito mais próxima da realidade.