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“Há uma busca natural, e muito saudável, pelo jornalismo profissional, com notícia apurada e de fonte segura”, afirma Ali Kamel

No dia 11 de setembro, o IBC entregou o seu tradicional prêmio International Honour for Excellence. Normalmente, ele é entregue para personalidades da área de tecnologia. Mas desta vez, devido a pandemia do novo coronavirus, a entidade decidiu premiar o jornalismo de qualidade e todos os profissionais envolvidos na cadeia de produção da notícia. A Globo foi uma das emissoras escolhidas para representar a excelência jornalística na cobertura da pandemia e receber o prêmio.

Para falar como a tecnologia corroborou para melhorar a apuração e a divulgação das informações em meio a pandemia e, dessa forma, manter o direito da população em ter acesso a informações fidedignas e de interesse público, foram entrevistados Ali Kamel, diretor geral de Jornalismo da Globo, e Raymundo Barros, diretor de Tecnologia da Globo.

Diretor geral de Jornalismo da Globo, Ali Kamel | Créditos da imagem: Globo/Sergio Zalis

JORNALISMO

SET: O que significa para a Globo receber um prêmio em nome do jornalismo de uma das mais importantes entidades de radiodifusão do planeta?

Ali Kamel: É muito gratificante ver o trabalho do Jornalismo da Globo reconhecido pelo IBC, uma das mais importantes conferências de mídia e tecnologia do mundo. Somado às nossas indicações há vários anos consecutivos ao International Emmy e a outros prêmios, esse reconhecimento internacional ao jornalismo praticado por nossa equipe é motivo de orgulho. Na Globo, estamos sempre atentos às transformações da sociedade e aos avanços tecnológicos. Criamos novos formatos e aderimos a novas tecnologias sem abrir mão de nossos princípios mais fundamentais, que são a credibilidade, a isenção e a independência.

SET: Como foi o processo de adequação do jornalismo na emissora, tendo em vista que os noticiários tiveram seu tempo aumentado, mas as equipes tiveram que ser reduzidas e muitos profissionais alocados ao home office?

Ali Kamel: Assim que o isolamento social começou por conta da pandemia, tomamos necessárias e urgentes medidas para proteger nossas equipes ao mesmo tempo em que cumprimos nossa missão de informar o público que estava em casa. Enquanto parte da equipe, que faz parte do grupo de risco, passou a trabalhar remotamente, deslocamos jornalistas e técnicos de outras áreas para ajudar na cobertura diária. Em todas as redações e gravações externas, os cuidados foram reforçados, com o uso obrigatório das máscaras, microfones diferentes para repórteres e entrevistados, uso de álcool isopropílico, lenços descartáveis e álcool gel para higienização de mãos, microfones e equipamentos. Também diminuímos as viagens para o mínimo necessário.

SET: A importância e relevância do jornalismo aumentou durante a pandemia, mas a desinformação também continua forte. Como combater a desinformação e potencializar o alcance da notícia?

Ali Kamel: Na TV Globo, passamos a ficar 11 horas ao vivo no ar direto com jornalismo. Criamos em menos de 48 horas um novo programa – o Combate ao Coronavírus – que durante dois meses ouviu especialistas e médicos para ajudar a orientar a população. Na TV por assinatura, abrimos o sinal da GloboNews, aumentamos o tempo das horas ao vivo e passamos a liderar o ranking dos canais pagos, melhor posição histórica do canal.

O resultado de todo este esforço veio em forma de reconhecimento da nossa audiência. Temos uma relação de confiança construída diariamente com o público. Mesmo em um cenário de multiplicação de opções e de concorrência, e de novos hábitos de consumo da informação, essa conexão continua alta em todos os setores da sociedade. Principalmente em momentos de crise como o que vivemos atualmente, as pessoas entendem que a informação que chega por redes sociais e aplicativos de conversa é insuficiente, porque não é checada, não é confiável, não é completa. Há uma busca natural, e muito saudável, pelo jornalismo profissional, com notícia apurada e de fonte segura. E isso os brasileiros encontram na Globo, seja na TV aberta, na TV por assinatura ou no digital. Notamos um aumento inclusive da audiência jovem, que é nativa digital e já nasceu acostumada às redes sociais. Nesta pandemia, o ‘Jornal Nacional’ passou a ser visto por 1,5 milhão a mais de jovens, na comparação com o mesmo período de 2019.

Raymundo Barros, diretor de Tecnologia da Globo e conselheiro da SET

TECNOLOGIA

SET: Foram adotadas novas tecnologias para manter o padrão de qualidade do jornalismo? Qual a importância da aliança entre tecnologia e jornalismo? Algum processo de modernização foi acelerado devido a pandemia?

Raymundo Barros: O processo de transformação digital pelo qual a Globo vem passando nos últimos anos colocou a tecnologia transversal em todo o negócio, trazendo a inovação para todos os nossos processos produtivos. Então, nossos profissionais já vinham atuando fortemente em novas soluções também para o Jornalismo. Com a chegada da pandemia, no entanto, nossas perspectivas foram aceleradas. Algumas propostas de ganhos de eficiência que tínhamos no pipeline precisaram ser postas em práticas em pouquíssimo tempo, o que nos permitiu manter a qualidade no ar nesse período tão desafiador.

Com rigorosos procedimentos e protocolos de segurança para todos os colaboradores, passamos a produzir diversos programas com tecnologia cloud based e operacionalizamos soluções que permitiram, por exemplo, a entrada de apresentadores e jornalistas nos telejornais, de suas residências, no Brasil e no exterior, com qualidade superior ao nível tradicional por internet, através do uso de ferramentas de codificação. Também passamos a fazer uso intensivo de edição e computação gráficas remotamente, além de entrevistas digitais, por aplicativos, por internet.