GT de UX debateu transformações do ecossistema de vídeo na sua primeira reunião

A reunião inaugural alinhou percepções sobre UX no setor audiovisual e mostrou a necessidade de base técnica e de pesquisa para orientar recomendações futuras, integrando aspectos digitais e físicos e considerando o impacto das mudanças de consumo e das plataformas. Os próximos passos concentram-se em formalizar a estrutura do GT, definir responsáveis e cronograma e dar início aos estudos e surveys que sustentarão práticas e padrões compartilhados.

 

A SET realizou, nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a primeira reunião do Grupo de Trabalho (GT) de Experiência do Usuário (UX), encontro que marcou o início das atividades do novo GT voltado à discussão, pesquisa e desenvolvimento de boas práticas de UX para o ecossistema audiovisual brasileiro. O objetivo foi apresentar os participantes, alinhar o escopo de atuação, discutir desafios da experiência do usuário em diferentes plataformas de mídia e identificar caminhos de colaboração entre profissionais do setor, academia e áreas de desenvolvimento.

A reunião reuniu especialistas de design, tecnologia e regulação, que mapearam entendimentos comuns sobre UX aplicada ao audiovisual. As discussões abordaram conceitos amplos de UX e interaction design, com ênfase na diferença entre interface e experiência, na importância de contexto para projetos e na necessidade de adaptação de produtos às pessoas. Questões como usabilidade, engajamento e complexidade de fluxos de descoberta também estiveram em pauta.

Os participantes destacaram as transformações aceleradas no ecossistema de vídeo, impulsionadas pela democratização de plataformas como YouTube e TikTok, pela consolidação do streaming e pela convivência entre modelos lineares e sob demanda. Debates sobre consumo móvel, impacto das redes sociais e novos hábitos de visualização ajudaram a compor um panorama do cenário contemporâneo e de seus desafios para a disciplina de UX.

Outro ponto de destaque foi a integração entre experiência digital e ambientes físicos, como salas e cinemas, refletindo sobre a importância de abordar o audiovisual como um ecossistema híbrido, onde interfaces, contexto sensorial e acessibilidade se complementam. A crescente complexidade tecnológica — incluindo IA e sistemas integrados — reforçou a necessidade de uma base metodológica sólida e de práticas de pesquisa contínua.

 

A reunião também trouxe sugestões de parcerias com universidades e academias de desenvolvimento, como a Apple Developer Academy, para fomentar formação profissional, pesquisa aplicada e coleta de dados estruturada. A realização de surveys, estudos qualitativos e análises de comportamento foi proposta como fundamento para a construção de diretrizes e recomendações setoriais.

Entre as ideias apresentadas, destacaram-se iniciativas para aproximar academia e indústria, promover investigação orientada ao comportamento do consumidor e desenvolver metodologias que integrem UX digital e experiência física. Também foram apontados pontos de atenção, como a necessidade de formalizar a estrutura do GT, definir papéis e responsabilidades e estabelecer um cronograma de atividades com metas claras.

Como tarefas imediatas, os participantes assumiram o compromisso de registrar contatos, formalizar a composição do GT, planejar pesquisas iniciais e mapear oportunidades de colaboração acadêmica. Todas essas ações ficaram pendentes de definição de prazos e responsáveis específicos.

Grupo de UX

A criação do GT de UX da SET, coordenado por Leandro Gejfinbein, Diretor de UX – Design e Pesquisa da Globo, e por Cecília Torres, Mentora de Design na Apple Developer Academy, abriu um espaço plural, reunindo representantes de diversos segmentos ligados à radiodifusão, streaming e produção audiovisual. O grupo foi concebido para promover troca de conhecimento sobre a disciplina aplicada ao consumo de vídeo digital em múltiplas plataformas, com destaque para as discussões sobre a construção da TV 3.0 (DTV+) no Brasil.

Segundo os coordenadores, a evolução contínua das tecnologias e a crescente complexidade dos ecossistemas digitais criam desafios que tornam imprescindível o fortalecimento da disciplina de UX. Eles ressaltaram que serviços de streaming são exemplos claros de como inovação tecnológica combinada com atenção à experiência do usuário é capaz de criar novos hábitos de consumo.

Os coordenadores afirmaram ainda que a chegada da TV 3.0 demanda novas formas de interação entre pessoas, marcas e conteúdos, partindo da força da TV aberta e gratuita no país. Para eles, trata-se de um marco histórico em que novos hábitos começam a surgir, exigindo alinhamento entre diversos atores da indústria. Nesse contexto, o GT de UX foi proposto como espaço de construção conjunta de conceitos, sistemas de design, métodos de trabalho e padrões de uso e comportamento, orientando a evolução da experiência audiovisual no Brasil.

Por Fernando Moura, em  São Paulo