Futurecom 2024: SET explica os diferenciais do DTV+ e os seus próximos passos

A SET analisou, Com sala cheia no Future Congress, o estado da arte do Projeto TV 3.0 do Fórum SBTVD e os próximos passos da implantação do DTV+ no Brasil. “A televisão tem de se reinventar para ter um novo padrão de TV digital terrestre”, disse Santoro. No espaço de exposições do Futurecom destaque para a utilização na Inteligência Artificial (IA), Wi-Fi 7, 6G e redução de consumo de energia.

Sob o tema central “Brand New World on the Edge – A conectividade e as novas relações pessoas-máquinas”, o Futurecom, maior evento de conectividade, inovação e tecnologia da América Latina, debate no São Paulo Expo, de 8 a 10 de outubro, assuntos ligados a conexão para entender as novidades tecnológicas do mundo conectado. Nesse marco, a  SET realizou nesta quarta-feira, 9 de outubro, no Future Congress, um painel sobre TV 3.0 denominado, “TV Digital 3.0: Conectividade impulsionando novas experiências no entretenimento, transmissões ao vivo“, com a presença de Paulo Henrique Castro, conselheiro da SET e presidente eleito da SET para o biênio 2025-2026; Sergio Santoro, Coordenador do GT de TV da SET/Record; e Marcelo Moreno, professor da Universidade de UFJF/SET.

Na sua palestra Santoro falou sobre a audiência da TV aberta e quais as influências da TV na audiência. “O Brasil vive uma posição diferente de outros países do mundo”, porque a relevância aqui, explicou, é maior que, por exemplo, a penetração da TV nos Estados Unidos. “Aqui a TV aberta está presente praticamente de maneira universal nos lares brasileiros”. Ele mostrou dados que mostram que em agosto deste ano, a audiência chegou “a 81,8% na TV aberta e que a o vídeo online representou 18,2%”. Mas, para o coordenador do GT de TV 3.0 da SET mesmo assim é preciso mudar; “O faturamento está caindo e migrando de plataforma, saindo da TV aberta para as mídias digitais”, fazendo que a TV perda receita para sites de internet. O coordeandor deo GT de TV 3.0 da SET explicou que no digital há uma maior segmentação das campanhas gerando personalização e mensuração precisa de resultados com a inclusão de “experiências interativas além de flexibilidade”. Por isso, “a televisão tem de se reinventar para ter um novo padrão de TV digital terrestre”.

Santoro disse que o contexto atual “faz com que as plataformas tenham de se adaptar ao cenário” e a TV 3.0 visa isso, por isso, “no DTV+ teremos maior qualidade de imagem com 4K e 8K, HDR, áudio imersivo com interatividade dando a possibilidade de ter quizz e votação na tela e o T-Commerce, entregando um serviço de maior qualidade e interatividade ao telespectador”.

Ele disse, ainda, que haverá interatividade com conteúdo sob demanda, segmentação do conteúdo de acordo com a segmentação geográfica colocando “retransmissoras em determinadas regiões com segmentação de público de forma geográfica, mas também de acordo ao perfil do espectador”. O DTV+ terá novas formas de acessibilidade com a ajuda do aparelho móvel, por isso na experiência do consumidor, “ele terá acceso a TV aberta no ícone da aplicação, não haverá canais, mas sem aplicações, com a possibilidade de favoritar a emissora desejada”; com “um controle remoto que tenha um botão de acesso direto a TV aberta. O executivo da Record também  explicou que a nova televisão terá acesso logado “ampliando o conhecimento do consumidor”, e uma alerta de emergência “mais granular”.

Pela sua parte, na palestra “TV 3.0: Convergência IP, plataforma orientada a aplicativos e personalização”, o professor Marcelo Moreno (UFJF), avançou com 3 pontos que podem ser importantes na transição. Em termos de camada de transporte, Moreno, disse que é onde se integra o broadcast com o broadband com tecnologias como o Route/Dash. Ele disse que falar de uma TV por aplicativos “é inovador no mundo”.

Segundo o pesquisador, o DTV+ é a plataforma que permite a convergência IP. Por isso, se partiu da ideia de “ter um sistema over-the-air (OTA) e assim ir para o mundo da internet com IP”. Mas, comentou, era preciso “melhorar a integração junto o mundo push do broadcast com o unicast, bidireccional (Pull) com TCP/IP, assim a ideia é trazer o UDP Multicast com um canal unificado”. E para integrar, disse Moreno, foi necessário “trazer o DASH para a transmissão pelo ar com streaming adaptativo para permitir a sincronização entre o que vem pelo ar e o vem pela internet”. Tudo, explicou, “para ter uma entrega segura e sincronizada”, com a utilização do DASH/Route no transmissor.

Outro dado da convergência explicado por Moreno foi a transmissão com multiplexação e replicação de CDN com uma transmissão OTA com multiplexação IP onde “só o transmissor é físico”. Ainda disse que a plataforma DTV+ passa a ser o agregador para a TV 3.0 onde se colocarão as aplicações das emissoras.

Destaques da feira  e congresso

Na cerimônia de abertura da 24ª edição do Futurecom 2024, Marco Basso, Presidente da Informa Markets Latam, organizadora do evento afirmou que “em um mundo cada vez mais hiperconectado e hiperpersonalizado, a tecnologia é um meio de promover transformações essenciais para a economia e, especialmente, para a sociedade. Essa será a tônica da maioria dos painéis desse evento, que há mais de 26 anos se transformou numa referência para os mercados de tecnologia e telecomunicações.”, disse o Presidente.

 

Pela sua parte, Juscelino Filho, Ministro de Estado das Comunicações, disse se sentir orgulhoso dos avanços da pasta. “Conseguimos acessar os recursos do FUST, que possibilitou a conectar cerca de 8.600 escolas nesse primeiro momento e com a concorrência do edital, conseguimos elevar para 15 mil escolas até o ano de 2025. Já garantimos conectividade a 31 mil escolas”.

Juscelino disse ainda que vai ampliar “a infraestrutura de Telecom em mais de 30 municípios e outras 73 localidades, em 4 regiões do país. Instalamos 4 mil km de fibra óptica e 205 novas ERBs”, e se comprometeu a garantir a ampliação da infraestrutura para todas as regiões do País. Um exemplo é o Programa Norte Conectado, que tem a finalidade de expandir redes para apoio de educação, pesquisa, saúde, defesa e setor judiciário, conectando as capitais da região norte com redes de alta capacidade. Infovias já foram implantadas de forma subaquática e esse ano ainda interligarão o Brasil a outros países da Amazônia, como Peru e Colômbia.

Em termos de 5G, Rodrigo Robles, Oficial de Programa International Telecommunication Union (ITU) da ONU, disse que a expansão do 5G deve ser tanto no meio urbano, quanto no rural. Seguindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a tecnologia é um meio de transformar a vida das pessoas, e tanto os dispositivos quanto os serviços devem ser acessíveis à população. Segundo o palestrante, além do alto custo dos aparelhos celulares, a Comissão de Banda Larga aconselha que o valor do serviço não seja mais que 2% da renda per capita, na América Latina, o valor é quase o dobro.

O representante da ONU acredita que a regulamentação é importante para garantir o acesso não só aos aparelhos, mas aos serviços de telecomunicações em escolas, hospitais e dentro das casas da população.

Por Fernando Moura, em São Paulo