Brasil poderá automatizar 56% das horas de trabalho com tecnologias já disponíveis, aponta estudo

Relatório da McKinsey analisa impactos da inteligência artificial sobre trabalho, qualificação profissional e geração de valor econômico no Brasil e na América Latina até 2030.

O Brasil possui potencial técnico para automatizar 56% das horas de trabalho atualmente executadas, utilizando tecnologias já disponíveis no mercado. A estimativa faz parte do relatório Agents, Robots, and Us: How AI Reshapes Work and Skills in Latin America, elaborado pelo McKinsey Global Institute, que analisa os efeitos da inteligência artificial, dos agentes autônomos e da automação sobre o mercado de trabalho em 15 países latino-americanos.

 

Foto: Reprodução de “Agents, Robots, and Us: How AI Reshapes Work and Skills in Latin America”

 

De acordo com o estudo, o potencial de automação representa a viabilidade técnica de aplicação das tecnologias existentes e não deve ser interpretado como uma projeção de eliminação de empregos. A análise destaca que a maioria das ocupações é composta por atividades que podem ser automatizadas e outras que continuam dependentes de capacidades humanas, como julgamento, interpretação de contexto, construção de relacionamentos e responsabilização por decisões e resultados.

O relatório aponta que a adoção da automação poderá gerar aproximadamente US$ 135 bilhões em valor econômico anual no Brasil até 2030, considerando um cenário intermediário de implementação. Esse volume representa a segunda maior oportunidade econômica entre os países analisados na América Latina.

A pesquisa também indica que 78% das habilidades humanas utilizadas atualmente deverão permanecer relevantes em um cenário de maior incorporação de inteligência artificial aos processos produtivos. Segundo o estudo, grande parte das competências profissionais será aplicada em modelos de trabalho híbridos, nos quais pessoas, agentes de IA e sistemas automatizados atuarão de forma complementar.

Entre os indicadores relacionados à transformação das competências profissionais, o levantamento registra crescimento acelerado da demanda por habilidades associadas à inteligência artificial. O número de profissionais em ocupações que exigem fluência em IA passou de 194 mil, em 2023, para 3,7 milhões em 2025, um aumento de 19,1 vezes no período analisado. Já as ocupações que requerem competências técnicas relacionadas à IA cresceram 5,5 vezes no mesmo intervalo.

O estudo identifica ainda aumento da demanda por competências ligadas a modelagem matemática, atributos pessoais, segurança e saúde ocupacional, comunicação, liderança, otimização de processos e operações de negócios. As habilidades relacionadas a inteligência artificial e aprendizado de máquina aparecem entre as categorias com maior crescimento na análise do mercado de trabalho brasileiro.

Para a McKinsey, os resultados sugerem que os benefícios econômicos da automação dependerão não apenas da adoção tecnológica, mas também da capacidade das organizações de redesenhar processos e desenvolver novas competências profissionais. O relatório conclui que o avanço da inteligência artificial deverá ampliar a colaboração entre pessoas, agentes digitais e sistemas automatizados, transformando a forma como o trabalho é realizado em diferentes setores da economia.