AIR reafirma papel estratégico da radiodifusão diante da desinformação e da Inteligência Artificial

A Assembleia Geral realizada em Brasília aprovou uma resolução sobre sustentabilidade, ética tecnológica e fortalecimento da TV e do rádio nas Américas.

A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) aprovou, durante sua 50ª Assembleia Geral realizada em Brasília, uma resolução que destaca a resiliência, relevância e legado do rádio e da televisão no cenário contemporâneo das Américas. O documento ressalta o papel essencial da radiodifusão como pilar democrático, agente de coesão social e guardiã da identidade cultural, mesmo diante de desafios crescentes como a desinformação, a transformação digital e o avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA).

Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, foi reeleito presidente da AIR/ Foto: SET

A resolução reconhece que rádio e TV têm resistido e se adaptado a sucessivas revoluções tecnológicas — do cabo ao satélite e, mais recentemente, à internet — preservando sua relevância como fontes confiáveis de informação. O texto também alerta para a disseminação global de conteúdos manipulados ou sintéticos, potencializados pelo uso irresponsável da IA, colocando em risco a qualidade do debate público e a confiança social nos meios de comunicação.

Segundo a AIR, a sustentabilidade econômica da radiodifusão é hoje um dos maiores desafios enfrentados pelo setor, devido à concentração do mercado publicitário nas grandes plataformas digitais. Para garantir a continuidade de sua missão de interesse público, a entidade defende uma atuação mais forte dos governos e órgãos reguladores, promovendo condições de concorrência justa e políticas que assegurem a vitalidade financeira dos veículos tradicionais.

O documento reforça ainda a necessidade estratégica de que empresas de rádio e televisão ampliem sua presença nas plataformas digitais, adotando modelos de convergência capazes de atrair novas audiências — especialmente jovens e usuários nativos digitais — sem abrir mão do rigor editorial que caracteriza o setor. A AIR destaca que, no uso da IA, os meios tradicionais devem assumir protagonismo ético, empregando a tecnologia para eficiência e inovação, mas jamais para comprometer a originalidade ou a verificação das informações.

Entre as determinações aprovadas pela Assembleia estão: a reafirmação do valor público da radiodifusão; o apelo a governos e reguladores para fortalecerem a sustentabilidade do setor; o mandato para acelerar a adaptação digital; e a solicitação de um marco normativo que exija identificação clara de conteúdos gerados ou alterados por IA, protegendo o público contra manipulações.

Eleição de autoridades para o biênio 2025–2027

Durante a sessão de encerramento da 50ª Assembleia Geral, em 4 de novembro, os delegados elegeram as novas autoridades da AIR para o período 2025–2027. O Dr. Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, foi reeleito presidente da entidade.

Também foram escolhidos:
Tulio Ángel Arbeláez (ASOMEDIOS – Colômbia), Primeiro Vice-Presidente
Gustavo Piedra Guzmán (CANARA – Costa Rica), Segundo Vice-Presidente
Eugenio Sosa Mendoza (ATA – Argentina), Vice-Presidente Secretário
Rafael Inchausti (ANDEBU – Uruguai), Vice-Presidente Tesoureiro

O Conselho Diretor nomeou ainda os vice-presidentes regionais e temáticos, entre eles:
Jaime Ramos (TVAzteca – México), Institucional
Michelle Szejer (SNRTV – Peru), Liberdade de Expressão
Flávio Lara Resende (ABERT – Brasil), Jurídico
José Luis Saca (ASDER – El Salvador), Tecnologia
Jorge Martínez de León (Caracol TV – Colômbia), Televisão
Rosa Medrano (ADORA – República Dominicana), Rádio
Curtis LeGeyt (NAB – EUA), América do Norte
Pedro Solís (APR – Panamá), América Central e Caribe
Pablo Vidal (ANATEL – Chile), América do Sul

Com delegações de mais de 15 países das Américas, a Assembleia debateu temas como liberdade de expressão, segurança de jornalistas, inovação tecnológica e os desafios regulatórios da radiodifusão privada. Ao final, a AIR reafirmou seu compromisso com uma comunicação livre, plural e independente, essencial para o fortalecimento das democracias da região.

Por Fernando Moura, em São Paulo