TV 3.0: Convergência, articulação e o papel do Brasil no novo ecossistema da radiodifusão

A transição para a TV 3.0 reposiciona a radiodifusão brasileira diante de um novo ciclo tecnológico, institucional e social. Mais do que uma evolução de padrões e arquiteturas, trata-se de um movimento de convergência entre profissionais, tecnologias, modelos de negócio, políticas públicas e inclusão digital, que exige coordenação, visão de longo prazo e espaços qualificados de articulação.
A SET reafirma sua vocação como centro de excelência e ponto de convergência do ecossistema audiovisual. Ao longo de sua trajetória — e de forma muito clara em seus encontros internacionais e nacionais — a entidade tem atuado como curadora técnica, articuladora institucional e fórum permanente de diálogo entre radiodifusores, indústria, academia e poder público.
Em um momento de profunda transformação tecnológica, acreditamos que a articulação qualificada, a construção coletiva e a visão estratégica continuarão sendo decisivas para assegurar a relevância, a sustentabilidade e o papel público da radiodifusão na era da TV 3.0.
A edição 2026 do SET:30, realizada durante a NAB Show, é a expressão concreta desse papel. Além de acompanhar tendências, o evento organiza prioridades, qualifica o debate e conecta a agenda internacional às necessidades e singularidades do mercado brasileiro. Em um cenário global marcado pela velocidade da inovação e pela multiplicidade de soluções, a capacidade de contextualizar e dar sentido às tecnologias hoje se torna tão relevante quanto as tecnologias em si.
Na NAB Show 2026, essa atuação ganhou ainda mais visibilidade. O Brasil foi um dos principais focos do evento, com presença expressiva de profissionais — mais de mil participantes, formando a terceira maior delegação estrangeira —, além de lideranças setoriais e representantes do poder público. Essa participação reflete a maturidade alcançada pela agenda brasileira de TV 3.0, construída a partir de avanços regulatórios, alinhamento institucional e uma base técnica consolidada ao longo de décadas de evolução da televisão digital.
A abertura conduzida pelo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, e a apresentação do primeiro protótipo de receptor DTV+ com antena interna incorporada — reunindo antena, processamento, demoduladores e componentes essenciais em um único equipamento — simbolizam esse momento de transição, no qual política pública, inovação tecnológica e estratégia industrial caminham de forma integrada.
Percebemos ainda que a crescente participação de profissionais da América Latina no SET:30 reforça o papel do Brasil como referência regional. A experiência brasileira em televisão digital — agora projetada para a TV 3.0 — contribui para a construção de agendas comuns e para o fortalecimento do ecossistema audiovisual latino-americano.
No terceiro dia do SET:30, o conselheiro diretor da Anatel, Octavio Penna Pieranti, destacou o papel estratégico da SET para a radiodifusão brasileira e apresentou a dimensão do setor no país, com mais de 35 mil canais. Ele ressaltou o avanço da TV digital, com 21 mil canais existentes e mais de 13,6 mil já licenciados, além da ampla presença de rádios e retransmissoras, além de afirmar que a TV 3.0 é uma TV que inclui, porque permite que o cidadão tenha acesso a uma televisão personalizada.
Na SET acreditamos que a implantação da TV 3.0 depende de um ecossistema que opere de forma articulada. Profissionais, radiodifusores, indústria, academia, entidades internacionais e governo precisam compartilhar diagnósticos, alinhar expectativas e construir soluções de maneira coordenada.
A participação ativa de agentes públicos no SET:30 e o diálogo em torno de previsibilidade regulatória, financiamento e inclusão digital demonstram que essa transição é, ao mesmo tempo, técnica e institucional. E está sendo conduzida da forma correta, com parceria e colaboração, para o sucesso de nossos objetivos comuns.
O Pós-NAB, realizado em São Paulo, amplia esse movimento ao traduzir o debate internacional para a realidade brasileira. Mais do que relatar o que foi apresentado em Las Vegas, o encontro consolida aprendizados, promove reflexão crítica e estimula a troca de experiências entre os profissionais do setor. Nesse fluxo contínuo entre o global e o local, a SET fortalece sua missão de disseminar conhecimento aplicado.

Paulo Henrique Castro
Presidente da SET