TV 3.0 (DTV+): Plataformas de Agregação de Aplicações como Soluções Essenciais para a Melhor Experiência dos Usuários na TV Aberta

Se o Brasil já desenvolveu e consolidou o seu modelo de TV Digital que é considerado um dos melhores do mundo, por que estamos agora adotando um novo modelo de TV de terceira geração?

A chegada da TV 3.0 (DTV+) representa uma mudança de paradigma: a evolução de um modelo de “transmissão linear” para um ecossistema de “consumo híbrido” com a imersão da TV aberta no universo da Internet.

Nesse cenário, surgem as plataformas de agregação de aplicações, um repositório “data centric”, onde novas experiências interativas passam a oferecer dinâmica e personalização ao usuário. Não se trata apenas de um “menu convencional”, mas o núcleo inteligente que une o sinal de radiodifusão (over-the-air) à banda larga (over-the-top).

Aqui estão os pilares que definem a importância dessas plataformas na arquitetura da TV 3.0:

  1. Personalização da Experiência do Usuário (UX)

Na TV 2.5 atual, o usuário precisa alternar entre o “canal da TV” e os “aplicativos do sistema operacional” da Smart TV. Na TV 3.0, a plataforma de agregação elimina essa barreira por meio do Middleware Ginga (evoluído para o perfil DTV+).

  • Contextualização: O conteúdo de VOD (Video on Demand) aparece como uma extensão direta do canal linear.
  • Fluidez: O espectador pode navegar na internet ou acessar uma biblioteca de vídeos sem “sair” da sintonia da emissora, criando uma jornada contínua.
  1. O Papel Estratégico do Datacasting

A TV 3.0 utiliza a transmissão do canal pelo ar para muito mais do que apenas vídeo e áudio. O Datacasting permite o envio de grandes volumes de dados de forma massiva e gratuita.

  • Eficiência de Rede: Em vez de 100 mil pessoas baixarem o mesmo arquivo via internet (onerando a banda larga), a plataforma de agregação recebe esses dados da audiência combinados com a navegação pelos sinais de TV e os disponibiliza instantaneamente na interface das aplicações.
  • Aplicações Práticas: Atualização de aplicativos, oferta de catálogos de VOD “pré-carregados”, informações de utilidade pública e alertas de emergência personalizados.
  1. Monetização e Publicidade Endereçável (Dynamic Ad Insertion)

Para as emissoras e provedores de conteúdo, a plataforma de agregação é a chave para a viabilidade e sustentabilidade econômica no mundo digital.

  • Dados em Tempo Real: Ao integrar aplicações de mídia, a plataforma coleta métricas precisas de consumo (sempre respeitando a LGPD), permitindo que a publicidade seja personalizada para o perfil daquele domicílio.
  • T-Commerce: A navegação integrada permite que o usuário compre um produto que viu em um programa diretamente pela tela da TV, unindo o entretenimento ao varejo de forma direta.
  1. Gestão de Microsserviços e Escalabilidade

Diferente das tecnologias de TV anteriores, a TV 3.0 é baseada em IP (Internet Protocol). Isso significa que as plataformas de agregação funcionam como um repositório de aplicações de forma semelhante a ambientes de nuvem e borda (Edge Computing).

  • Orquestração: Elas gerenciam microsserviços que tratam desde o chat em tempo real até a entrega de vídeos em VVC (H.266) com áudio imersivo.
  • Disponibilidade: Garantem que, mesmo com picos de audiência (como em grandes eventos esportivos), a transição entre o sinal terrestre e o conteúdo via internet ocorra sem travamentos (seamless switching).

A Atlantis está dando a sua contribuição no desenvolvimento do ecossistema da TV 3.0 e está disponível para oferecer ao mercado um modelo inovador de desenvolvimento de projetos na filosofia “customer centric”, onde a emissora será orientada para exercitar a criatividade do seu time, formatar as suas demandas para o enriquecimento do conteúdo e planejar as oportunidades de monetização desenvolvendo novas implementações à medida em que a audiência seja impactada de forma sustentável e dinâmica.

Ao implementar o conceito de uma plataforma de agregação de aplicações a TV 3.0 cria oportunidades como uma plataforma de serviços centrada em dados. Assim, uma rede de emissoras afiliadas poderá viabilizar suas operações através do compartilhamento em nuvem, o que a torna a TV3.0 efetivamente capaz de competir de igual para igual com as plataformas digitais de mídia e os aplicativos de dispositivos móveis.

Josemar Cruz – CEO Atlantis Tecnologia