CEOs de Globo, Record, SBT e Band defendem união em prol do futuro da TV aberta
Mudanças trazidas pela TV 3.0 e pela regionalização de conteúdo foram algumas temas debatidos pelos líderes das maiores redes de televisão do país
O painel “Visão dos CEOs: o futuro da mídia”, realizado logo após a abertura da SET Expo 2025 nesta terça-feira (19), no Distrito Anhembi, reuniu os líderes das quatro maiores emissoras brasileiras (Globo, Record, SBT e Band) em um debate considerado histórico. A mediação foi feita pelo jornalista Guilherme Ravache, colunista de Mídia do Valor Econômico, que provocou a reflexão sobre a narrativa recorrente de que a internet seria uma concorrente direta da televisão.
A CEO do SBT, Daniela Abravanel Beyruti, destacou a necessidade de união do setor. “Temos a oportunidade de mostrar o contrário, que a TV continua muito forte. Nossa força é agregada e precisamos defender a transmissão de informação e o entretenimento de qualidade. Quando migramos do analógico para o digital, em 2007, trabalhávamos separadamente. Agora, estamos juntos, e acredito que a transição para a TV 3.0 será ainda mais rápida”, afirmou.
Na mesma linha, o diretor-presidente da Globo, Paulo Marinho, ressaltou o desafio da chegada da TV 3.0 e a disputa pela atenção do público em meio a múltiplos meios de comunicação. “A TV aberta mantém uma extrema relevância e desenvolveu, ao longo da história, uma relação muito próxima com a população brasileira. Vivemos um vácuo: as tecnologias avançam, mas as narrativas, a defesa e a regulação vêm depois. Estamos reagindo e buscamos entregar conteúdos de grande relevância”, destacou.
O CEO do Grupo Bandeirantes, Claudio Luiz Giordani, lembrou que a digitalização já havia provocado uma reinvenção do setor. Agora, segundo ele, a integração com as redes sociais abre novas oportunidades. “As redes sociais comentam o que acontece na TV brasileira. Precisamos valorizar esse meio. O rádio e a TV vão continuar crescendo, gerando empregos e utilizando a internet a nosso favor. Não é concorrência, e sim fortalecimento do meio”, declarou.
Já o CEO da Record, Marcus Vinícius Vieira, destacou o duplo papel da TV aberta. “Temos dois objetivos claros: atender o público final e o mercado publicitário. Precisamos oferecer experiências eficientes para ambos. Essa união do setor é fundamental e a TV 3.0 já ajuda a derrubar barreiras tecnológicas”, disse.
Próximos passos
Os executivos também projetaram o impacto da TV 3.0. Vieira reforçou que a nova fase deve fortalecer a regionalização do conteúdo. “A TV tem uma vida muito longa. A legislação é sólida e acreditamos muito nesse projeto, que dará um poder enorme à TV aberta”, afirmou.
Giordani acrescentou que a tecnologia abrirá espaço para diversificação das receitas. “Com a segmentação e a regionalização, teremos novas oportunidades de comercialização, justificando ainda mais os investimentos. Isso vai nos colocar em posição mais forte nesse novo cenário”, avaliou.
A participação de influenciadores digitais também entrou na pauta. Beyruti contou que, nas negociações, muitos deles enxergam a TV como legitimadora de sua fama. “No meio de tanta informação e conteúdo, vejo o futuro da TV aberta como uma referência para a população”, destacou.
Marinho, por sua vez, apontou que a inteligência artificial será um fator disruptivo na relação do público com o conteúdo. “Estamos em um ecossistema cada vez mais complexo de mídia e precisamos criar modelos para vencer o desafio das novas gerações. É difícil prever 10 anos, mas vamos construindo o futuro a cada momento. A inteligência artificial certamente vai mudar a forma como interagimos com os conteúdos”, concluiu.